sexta-feira, outubro 13, 2006

Ludwig Van BEETHOVEN - Sonata ao Luar

Gênio. Essa é a primeira palavra que me vem a mente quando penso em Beethoven. Não concorda? Ouça a suas sinfonias, suas sonatas, seus minuetos, sua obra! Hehe ... tudo bem, tudo bem. Pode ser que esse meu discurso esteja mesmo entorpecido pela insuflada admiração que tenho por esse compositor. Mas ... e Beethoven não foi, com efeito, um dos mais importantes compositores de toda a história da música? Indubitavelmente.
Sabem. A primeira peça, a primária de todas aquelas que já executei no violão erudito, foi o famigerado Minueto em Sol Maior. E de quem é tal obra? Adivinhem, hehe. Pois então. Do minueto para cá, já tive a oportunidade de apreender diversas peças, de variados compositores. Contudo, sempre sinto-me estupefato e maravilhado quando, vez por outra, uma das obras que caem em minhas mãos é assinada por um tal de Ludwig Van Beethoven. A última delas, há algum tempo, foi um certo adagio de uma certa sonata: a da Opus 27 nº 2, em dó sustenido. Consegui, afortunadamente, a transcrição para violão do mirífico Isaías Sávio. Entretanto, meu scanner não está funcionando. Mas, assim que ele estiver, disponibilizarei tal obra aos nobres amigos.
Voltando ao Adagio Sostenuto: Essa peça, originalmente, como todos sabem, foi composta para piano. Existem diversas transcrições, para os mais variados instrumentos. Para o violão, ao meu ver, destacam-se as transcrições de Francisco Tárrega e Isaías Sávio. Disponibilizarei à vocês a de Tárrega.
A obra divide-se da seguinte forma: Adagio sostenuto; Allegretto; Presto agitato.
Bem. Eis aqui um arrazoado sobre o maravilhoso esse Adagio:
Quando foi publicada pela primeira vez, em 1802, por Beethoven, ela não era ainda conhecida como "Sonata ao Luar", mas sim: "Sonate pour piano quasi una fantasia en ut dièse mineur, alla Damigella comtessa Giulietta Guicciardi". Aqui cabem alguns esclarecimentos. A expressão "quasi una fantasia" é autêntica, ou seja, é do próprio compositor. E a Condessa Giulietta Guicciardi figura como um dos grandes amores de Beethoven que, segundo consta, não fora correspondido. O epíteto "Sonata ao Luar" (que conferiu à obra status de mundialmente famosa, executada entre as principais orquestras, e uma das mais importantes obras do repertório pianístico mundial) foi o nome que lhe deu o poeta Ludwig Rallstab. Esse poeta era conhecido no meio musical por adorar, além da fina arte lírica, a deéfica arte musical. Dessa forma, conhecida Beethoven. Rallstab teve muitos de seus poemas musicados por ninguém menos que Franz Shubert. Muito se falou e escreveu sobre a sonata cujo Adagio sostenuto já foi arranjado de todas as maneiras. O emérito compositor francês Hector Berlioz, por exemplo, com sua retórica derramada, escreveu que “o Adagio é um daqueles poemas que a linguagem humana não tem como qualificar”. Holz, contemporâneo de Beethoven, jurou ter ouvido do compositor que o Adagio foi improvisado ao lado do cadáver de um amigo; o virtuoso pianista Liszt apelidou o Allegretto de “uma flor entre dois abismos”. O que se tem de concreto, entretanto, é este “quasi una fantasia”, expressão com a qual Beethoven quis designar o de todo modo admirável e genial primeiro movimento. “Fantasia” aparece igualmente como sinônimo de improviso – e este é o perfume geral da sonata, incluindo o allegretto e o presto agitato.
O sucesso popular da sonata acabou incomodando Beethoven, que considerava que ela tomava o lugar, junto ao público, de outras mais importantes (“Escrevi outras melhores”, disse ele a seu aluno Czerny). Tudo isso nada tira o brilho admirável e o impacto sonoro que ela provoca, a cada nova audição.
Pois então, que ouçamos:
Aqui podem se maravilhar com a interpretação de Dilermando Reis dessa maravilhosa peça.
aqui podem realizar o download, em mp3, da obra original para piano (somente o Adagio).

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