Quarta-feira, Abril 30, 2008

Eduardo Fernandez - La Danza

As águas de março já findaram com o verão, por suposto. Contudo, outra bela estação está por vir e a vida continua com a sua célere vagareza de sempre. E eis aqui novamente um grande violonista para acalentar os ansiosos e ditosos ouvidos desses estimados e diletos olhos que porventura pululem nessas linhas que por ora escrevo. Indultem-me o excessivo e aparentemente interminável hiato. O fato é que ando um tanto quanto azafamado demais com o mestrado e afins, e não estou a conferir a atenção necessária a esse nosso espaço virtual. Enfim: perdoem-me.

O violonista que hoje vos trago é freqüentemente alcunhado de o grande padagogo. Já ouvi grandes músicos atentarem para o fato de que, além de excepcionalmente virtuoso, esse violonista conserva um verdadeiro dom para transmitir o seu incomensurável conhecimento musical. Com efeito, Eduardo Fernandez é, além de um estupendo instrumentista, um egrégio e grande professor. Fernandez é o autor de uma obra intitulada “Technique, Mechanism, Learning”. Indubitavelmente, tal obra é indispensável, pois excelente na literatura violonística mundial.

De fato, o nome de Eduardo Fernandez evoca toda uma série de sensações. Uns crêem que Fernandez é um violonista que não apresenta grande esmero em suas interpretações. Afinal, é patente, em algumas gravações desse violonista, uma certa opacidade e secura do som. Contudo, não há como se confundir o apreço pela exuberância do som com falta de preparo de um violonista. O que se percebe em Fernandez é um grande conhecimento musical, um incomensurável preparo e uma profunda e invejável inteligência. Poucos são os trechos, nas peças por Eduardo Fernandez interpretadas, que não são pensados, verdadeiramente lucubrados. Diferente não poderia ser, afinal, para quem teve aulas, desde infante, com o grande mestre Abel Carlevaro.

O álbum que agora vos trago é um dos primeiros trabalhos de Fernandez. É interessante notar que, mesmo sendo essa uma das primeiras obras desse grande violonista, ela já trazia um Fernandez maduro e seguro em suas interpretações. Neste álbum o violonista traz uma interessante e bela variedade de compositores, de Brouwer a Villa Lobos, promovendo um verdadeiro passeio pelo violão das Américas. O bom violonista apresenta uma magnífica e bela técnica, que destila com todo vigor e soberba em peças mais do que conhecidas aos nossos americanos ouvidos. Atento para faixas como o Choro de Villa Lobos, interpretada com pompa e apurada técnica; “Chôro da Saudade” de Barrios, que denota um instrumentista conhecedor dos mais belos nuances do violão e a pouco conhecida “Velha Modinha”, de Oscar Lorenzo Fernandes, que é, na falta de melhor epíteto, maravilhosa; além, é claro, de ter sido executada com primor e brilhantismo.

Penso que esse grande violonista é, por vezes, injustamente alcunhado de um mau violonista, ou coisa que o valha. Em minha singela opinião, Fernandez é um dos grandes nomes do violão, apresentando, além de uma grande técnica, uma sensibilidade notável. Contudo, sou sectário do respeito por opiniões divergentes, vendo nelas uma interessante fonte de conhecimento e troca de informações. Por tal razão é que deixo aqui o álbum, a fim de que os nobres e queridos amigos tirem as conclusões devidas e me informem, ulteriormente, se apreciaram o trabalho deste bom violonista.

Eis o disclist com os links:
1 - Heitor Villa-Lobos - Choro nº 1
Gentil Montaña - Suite Colombiana nº 2
2 - I. El Margariteño: Pasillo
3 - II. Guabina Viajera
4 - III. Bambuco
5 - IV. Porro
6 - Lorenzo Fernández - Vieja Canción
7 - Antonio Lauro - Valsa Venezuelana nº 1
8 - Antonio Lauro - Valsa Venezuelana nº 2
9 - Antonio Lauro - Valsa Venezuelana nº 3
10 - Antonio Lauro - Valsa Venezuelana nº 4
Leo Brouwer: Dois Aires Populares Cubanos
11 - I. Guajira Criolla
12 - II. Zapateo
13 - Leo Brouwer - Danza Característica
Leo Brouwer: Dos Temas Populares Cubanos
14 - I. Caancíon de Cuna
15 - II. Ojos Brujos
16 - Augustin Barrios - Danza Paraguaia nº 1
17 - Augustin Barrios - Choro da Saudade
18 - Eduardo Fabini - Triste nº 1
19 - Augustin Barrios - Aire Popular Paraguaio
20 - Gentil Montaña - Amanecer
Heitor Villa-Lobos: Suite Popular Brasileira
21 - I. Mazurka-Choro
22 - II. Schottisch-Choro
23 - III. Valsa-Choro
24 - IV. Gavota-Choro
25 - V. Chorinho
26 - Antonio Lauro - Seis por Derecho
EDUARDO FERNÁNDEZ - LA DANZA!

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Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Liona Boyd - The Best of

Tim Maia, nos idos do século passado, nos acalentava os ouvidos, cantando: “Em fevereiro, tem carnaval, tem carnaval”. E eis que o tal festivo e carnavalesco mês se finda. Ou melhor: está em vias de acabar. Afinal, não é todo ano que temos tal honra e mérito de passar por um vinte e nove de fevereiro. Aos que neste dia festejam a vinda ao mundo, meus sinceros parabéns. Bem sei que andei a demorar em vos escrever, meus caríssimos e estimados leitores. O fato é que minha conexão com a Internet andou um tanto quanto temperamental. Assim, não pude sequer acessar coisa alguma, no mês que agora se finda, pela extravagância desses nossos adventos tecnicistas – e como, afinal, viver sem eles? De qualquer modo, volto agora, mais do que nunca, renovado em termos tecnocráticos e virtuais. Esperemos, pois, que tais infelicidades “internéticas” fiquem longe de nossas vistas por um bom e longo tempo.

Pois bem. Eis que vos trago uma violonista um tanto quanto intrigante e, na falta de melhor epíteto, absolutamente fascinante. Sim, como puderam perceber pelo catafórico artigo, trata-se de uma violonista. E seu nome é Liona Boyd. Certamente, os mais jovens não a conhecem ou sequer dela já ouviram falar. Pudera: Boyd nasceu ao começo da década de 50 do século passado. Teve seu auge em meados da década de 70 em diante. E tornou-se praticamente desconhecida, ao menos para boa parte dos novos violonistas brasileiros, na década de 90. E eis que pretendemos, hoje, modificar um pouco as coisas. Ao mínimo, tem-se a tenção de rememorar tal importante e emérita violonista. E eis, pois, que isso encetamos.

A história da família de Boyd pode ser familiar a diversos leitores, haja vista que a diversidade e multivocidade cultural de nosso país é incomensurável. Em verdade, os pais de Boyd provêm de diferentes porções da Espanha (aliás, a mãe de Liona é de Linares, cidade do preexcelente Segóvia) e ela acabou nascendo em Londres e mudando-se, ainda mui jovem, para o Canadá. Realmente, uma globalização e tanto! O fato é que quando contava catorze anos, Liona teve o privilégio e o desmesurado prazer de assistir a um recital do estupendo Julian Bream. Como não poderia deixar de ser – afinal, estamos a falar de Bream! –, logo ela se apaixonou pelo instrumento e decidiu estudá-lo disciplinada e profundamente. Assim é que ela acabou por ter aulas com grandes violonistas, como Eli Kassner, Narcisco Yepes, Alirio Diaz, o próprio Bream e até mesmo o grande Andrés Segóvia, o qual chegou a dizer de sua pupila: “predict that Liona will have a magnificent career” (em uma tradução livre: “prevejo que Liona terá uma carreira magnífica”). Certamente, existem aqueles que não concordam muito com as assertivas do assim chamado “Velho”. Contudo, penso que um comentário desses, provindo daquele que alçou o violão ao patamar de um instrumento respeitável é, ao mínimo, uma extrema honra e uma prova de competência.

No álbum que agora vos trago, Boyd executa um repertório variado e eclético, próprio de títulos que se querem “O melhor de”. Assim, ouvem-se interpretações que vão de Stanley Myers e sua famigerada “Cavatina” até composições interessantes e instigantes como “El Colibri” e “Lejania”. Compositores mais do que consagrados participam do desfile de graça e virtuosismo de Boyd, neste álbum: Alonso de Mudarra, Vivaldi, Bach, Satie, e muitos outros. É interessante notar que Liona a destreza da execução de Boyd, aliada a uma interpretação vigorosa e denotadora de uma aguçada percepção musical. Ademais, pode-se perceber a sólida formação da violonista em peças desafiadoras como a já citada “El Colibri”, “Recuerdos de la Alhambra” e “Astúrias”.

Trata-se, por suposto, de uma violonista que realmente mereceu o epíteto de “The First Lady of Guitar”. Afinal, ela demonstrou aos neófitos ouvintes a qualidade, grandiloqüência e sublimação da arte das seis cordas, fazendo com que o instrumento ganhasse notoriedade e, acima de tudo, fosse estudado e executado por milhares de pessoas ao redor do globo. Uma violonista de tamanha importância não poderia ficar anônima aos estudiosos e amantes dessa nobre arte que é o violão erudito.

Eis, pois, o link e o diclist:

1 Medley: Plaisir d'Amour/Cavatina
2 What Child Is This?
3 Malagueña
4 Campanas del Alba
5 Asturias
6 Saltarello
7 Fantasy
8 Preludium & Bourree
9 El Colibri
10 Spanish Romance
11 Jesu, Joy of Man's Desiring
12 Gymnopédie No. 1
13 Recuerdos de la Alhambra
14 Largo
15 Lejania
16 Cantarell

LIONA BOYD - THE BEST OF

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Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

Jason Vieaux - Guitar Recital: Naxos Laureate Series

Olá, meus queridos e estimados leitores. Eis que lhes trago outro bom álbum do excelente selo musical Naxos. Mais uma vez, o violonista que por hora aparece foi consagrado com um estupendo álbum, da formidável Laureate Series. Verão que o repertório desse álbum é, além de não muito usual, absolutamente fascinante.

O violonista em questão é Jason Vieaux. Trata-se de um virtuoso e precoce instrumentista. Virtuoso, pois os seus álbuns são, na falta de melhor epíteto, esplêndidos. Ele possui um toque gracioso e uma leveza em suas interpretações que, indubitavelmente, seja o repertório qual for, ele tenderá a agradar os ouvidos da audiência. Precoce pelo fato de que com apenas dezenove anos foi o vencedor do prestigiado e árduo concurso norte-americano: “Guitar Foundation of America International Competition”. Isso demonstra o quão precoce e maduro era Vieaux no fim de sua adolescência. Interessante é notar que esse virtuoso violonista começou seus estudos bem cedo, por volta dos oito anos de idade. Teve mestres como Jeremy Sparks e John Holmquist. O fato é que, atualmente, Jason Vieaux é um dos violonistas mais requisitados internacionalmente em salas de concerto. Além de ser um preexcelente violonista Vieaux é um grande professor. Atualmente ensina no Cleveland Institute of Music, em Ohio, nos Estados Unidos.

Bem. No álbum que agora vos trago Jason Vieaux ainda era bem jovem. Contava apenas dezenove anos. O álbum foi produzido em consagração a vitória de Vieaux no concurso supracitado, sendo lançado dois anos após tal vitória. Atente-se para o fato de que o repertório executado por Vieaux não é nada comum, sendo bem discrepante do que geralmente vemos nos recitais. O violonista traz compositores como Julian Orbón, José Luís Merlin e Jorge Morel. Certamente, muitos hão de os conhecer. Contudo, creio que a grande maioria os desconheça completamente. Tratam-se de compositores “modernos”. Confesso que não sou lá nenhum apreciador dos compositores modernos, com seus “batuques” no corpo do violão e uma proposta diferente das que eu aprecio no violão. Não que suas composições sejam ruins. Longe disso. Mas é como diz o velho dito popular: “o que é de gosto arregala a vida”. Entretanto, os compositores apresentados, aqui, por Vieaux são realmente interessantes. As composições são atraentes e de altíssima qualidade. Talvez tais peças tornem-se ainda melhores pela admirável interpretação desse grande violonista.

Bom. Além de tudo, Jason Vieaux apresenta um sítio virtual muito interessante. Não há mais o que se dizer de tão virtuoso violonista. Creio que lhe devem uma audição. Aí poderão comprovar se o que digo pode ser tomado como verdade.

Eis o disclist e o link:

Guitar Recital: Jason Vieaux

Jose Luis Merlin

Suite del recuerdo

1 Evocacion
2 Zamba
3 Chacarera
4 Carnavalito - Evocacion - Joropo

Maximo Diego Pujol

Cinco Preludios

5 No. 2, Preludio Triston
6 No. 3, Tristango en Vos
7 No. 5, Candombe en Mi

Julian Orbon

Preludio y Danza

8 Preludio
9 Danza

Ian Krouse

10 Variations on a Moldavian Hora

Agustin Barrios Mangore

11 Vals, Op. 8, No. 3
12 Julia Florida: Barcarola
13 Vals, Op. 8, No. 4

Jorge Morel

14 Choro
15 Danza Brasileira
16 Danza in E minor


Fernando Bustamante

17 Misonera (arr. Morel)

JASON VIEAUX - GUITAR RECITAL: NAXOS LAUREATE SERIES

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Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

José Antônio Escobar - Guitar Recital: Naxos Laureate Series

Feliz ano novo! Eis aí uma sentença que muitos de vossos ouvidos devem ter percebido por esses dias passados. Mas não canso de repeti-la aqui e desejar a todo e qualquer olho que porventura cruze sobre essas fúfias linhas um novo ano repleto de maravilhosidades, de saúde e, principalmente, de muita música! Que este novo ano lhes seja absolutamente aprazível e agradável. São os meus votos para todos os leitores desse humilde e estimado espaço virtual.

Bom. Assim como o novo ano apenas começa, encetam-se, igualmente, os trabalhos violonísticos neste nosso espaço virtual. Dessa forma vos trago, pois, um violonista considerado por muitos críticos e apreciadores da arte das seis cordas um dos grandes nomes da nova geração. Trata-se de José Antônio Escobar. O nome deste rutilante violonista não deixa dúvidas: certamente, ele é proveniente do universo latino. Mas se enganam aqueles que porventura julgam que Escobar seja espanhol. Em verdade, esse virtuoso violonista é um vizinho nosso. Bem, talvez um vizinho distante, mas ainda assim, dividimos o mesmo continente. Escobar é chileno, tendo nascido na capital Santiago aos idos de 1973. Lá estudou desde mui infante com o ilustre maestro Ernesto Quezada. Graduou-se na Faculdade de Artes da Universidad de Chile, com muitas honras e méritos. Tantas que o governo Chileno concedeu-lhe uma bolsa de estudos para uma pós-graduação na fria e bela Alemanha. Na Europa estudou com inúmeros mestres, como Eliot Fisk e Hopkinson Smith, apurando sua técnica e desenvolvendo ainda mais suas já virtuosas habilidades. Com tais e quais qualidades, logo Escobar tornou-se um nome conhecido e requisitado dentro do infelizmente pequeno universo de grandes violonistas.

E esse é um fato mais do que perceptível nesse álbum que vos trago. De fato, percebemos a grande desenvoltura aliada à precisão e musicalidade que brotam dos dedos de Escobar. As notas parecem, realmente, fluir, num cantabile arrojado e extremamente técnico. Contudo, não se pode dizer que ele é um violonista que preza tão-somente pela exatidão em suas interpretações. O que é patente, desde a primeira nota tangida nas cordas, é a capacidade interpretativa desse violonista. Atentem para as faixas de Bach, que abrem o disco. São executadas de maneira impecável, sem dúvida. Mas também deixam escapar algo de singelo e sublime que é o que faz a música ser tão inenarravelmente esplêndida. Já nas interpretações românticas de Tárrega, Escobar nos mostra seu grande virtuosismo. Bem como nas peças de Aguado e Asencio. Enfim. Não sou lá um grande apreciador de superlativos como: “o maior” ou “o mais importante”. Entretanto, ao ouvir Escobar certamente não pensamos em diminutivos. Espero que os nobres amigos se deliciem com tais belas e maravilhosas peças, interpretadas de modo magistral por este formoso violonista.

Eis o disclist e os links:

Jose Antonio Escobar: Guitar Recital

Johann Sebastian Bach

Sonata in G minor, BWV 1001

1 Adagio
2 Fuga
3 Siciliano
4 Presto

Francisco Tarrega
5 Sueno
6 Maria
7 Preludio No. 1
8 Preludio No. 5
9 Rosita

Dionisio Aguado

10 Rondo No. 2 in A minor

Isaac Albeniz

11 Mallorca
12 Torre Bermeja

Frank Martin

Quatre Pieces Breves

13 Prelude
14 Air
15 Plainte
16 Comme une Gigue

Vincente Asencio
Collectici intim

18 La Serenor
19 La Joia
20 La Calma
21 La Gaubanca
22 La Frisanca

José Antônio Escobar - Guitar Recital: Naxos Laureate Series

Parte I & Parte II.

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Dimitri Illarionov - Guitar Recital: Naxos Laureate Series

Eis mais um nome que vos trago, meus caros. Tal qual o último violonista de que falamos, o nome desse instrumentista pode causar certo estranhamento a pronúncia. Certamente, não é lá mui comum (ao menos aos que não são descendentes dessa bela nação) que pronunciemos nomes em russo. Levo-me a crer, entretanto, que isso irá mudar assim que ouvirem este álbum. Afinal, ele traz um grande e premiado jovem a interpretar peças belas e de alto nível técnico; peças que mostram o quão virtuoso esse violonista pode ser.

Trata-se, enfim, de Dimitri Illarionov. Muitos não o conhecem, truisticamente. Mas na Rússia ele é um violonista aclamado. Illarionov, de fato, é um músico que conserva um estudo mui bem estruturado e sedimentado. Graduou-se no conservatório Tchaikovsky, em Moscou e continuou seus estudos com grandes violonistas de seu país, como Nikita Koshkin; e também com proeminentes nomes da música mundial, como: Carlo Marchione e Roberto Aussell. É interessante observar que os violonistas que se destacam conservam uma formação muito bem estruturada e desenvolvida. Talvez seja essa uma das chaves para se alcançar um nível mais alto nos estudos musicais: o estudo. Em verdade, como em qualquer outra área do conhecimento, o estudo musical tem de ser perene. Mas é sempre bom nos atualizarmos, conversarmos com outros músicos, tomarmos masterclasses e afins. Assim, enaltecemos ainda mais nossos conhecimentos e nos aprofundamos cada vez mais nessa bela arte das seis cordas.

A prova está aí, viva, palpável, para que todos vislumbremos. Afinal, Dimitri Illarionov venceu ainda jovem inúmeros concursos e consagrou-se um prodigioso violonista com menos de três décadas de vida. Uma dessas grandes vitórias desse violonista russo está registrado no álbum que por hora vos deixo. Neste trabalho, Illarionov traz obras de Tárrega, Dyens, Giulliani, entre diversos outros compositores, apresentando um repertório abrangente e refinado, o que acaba por revelar um violonista maduro e desenvolvido tecnicamente. Atente-se para o fato de que o violonista apresenta obras de compositores pouco conhecidos, promovendo, assim, a valorização do repertório violonístico, bem como fazendo-nos conhecer obras especialmente interessantes.

Enfim. Este é um álbum derradeiramente eclético e brilhante. Espero que apreciem.

Eis o disclist e os links:

Dimitri Illarionov – Naxos Laureate Series – Guitar Recital

Mauro Giuliani - Grande Ouverture Op.61

Alexandre Tansman - Cavatina
-Preludio
-Sarabande
-Scherzino
-Barcarolle
-Danza Pompoza

Roland Dyens - Valse en skai

Igor Rekhin - from 24 Preludes and Fugues for guitar solo
-Prelude and Fugue No. 6 in D minor
-Prelude and Fugue No. 21 in B flat major
-Prelude and Fugue No. 3 in D flat major

Nikita Koshkin - Marionette

Mario Castelnuovo-Tedesco - Capriccio diabolico (Homage to Paganini)

Francisco Tarrega - Variations on Carnival of Venice


Dimitri Illarionov - Guitar Recital: Naxos Laureate Series

Parte I & Parte II.

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Enno Voorhorst - Guitar Transcriptions: Bach

Gostaria de pedir-lhes desculpas, meus amigos leitores. Afinal, as postagens estão a sair com incômodos grandes espaços entre si. O fato é que ando azafamado e não estou tendo tanto tempo quanto gostaria para me dedicar à fina arte das seis cordas. Mas ao menos lhes trago alguns álbuns, vez por outra, que, creio, são interessantes e mais do que úteis aos estudantes e apreciadores desse esplendoroso instrumento.

Pois bem. O nome desse violonista não é lá mui comum por nossas terras tropicais, mas uma coisa é certa: a sua estupenda e preexcelente técnica compensa a dificuldade em pronunciarmos o seu ortônimo. Enno Voorhorst é - como não poderia deixar de ser – alemão. A história nos conta que grandes nomes porvêm dessa bela nação. A música, de um modo geral (estudo, concertos, etc), é uma prioridade para o governo alemão. A falta de incentivos e a completa ociosidade de nossa política para com a música são temas desconhecidos em tal nação européia. Lá o que vemos são grandes universidades e excelentes salas de concerto, além de grandes incentivos aos músicos, fatos que somados parecem explicar nomes como Beethoven. O fato é que Voorhorst faz jus ao incentivo que seu país dá á música. Afinal, ele descende de uma família de músicos. Assim, não é de se espantar que logo jovem tenha ele sido um grande violista. Sim, não cometi nenhum desvio ortográfico. Além de Enno ser um grande violonista é também um grande apreciador da música de câmara e, dessa forma, estudou e tornou-se um grande violista. Além desse belo instrumento, Voorhorst interessou-se pelo sublime violão. Estudou, pois, com grandes nomes, como David Russell. O fato é que esse violonista venceu inúmeros concursos e apresentou-se pelo mundo afora, demonstrando seu vigoroso e entusiástico toque.

Como apreciador de música de câmara, Enno Voorhorst não poderia deixar de se interessar pelos grandes nomes barrocos. E certamente o eminente nome de Bach não poderia ficar de fora. Eis que então vemos aqui a união de um dos maiores nomes da música ocidental com uma interpretação digna e de ótima qualidade. É interessante notar que Voorhorst executa um repertório não muito comum de Bach, trazendo peças diferentes e extremamente belas. Tal fato apenas valoriza a qualidade de um violonista e engrandece o repertório de nós, enquanto ouvintes dessa suntuosa arte.

Bem. Lhes deixo, pois, com o sempre mirífico Bach. Mas desta vez com a interpretação igualmente admirável de Enno Voorhorst.

Enno Voorhorst – Guitar Transcriptions

Sonate BWV 1013
allemande
corrente
sarabande
bourrée anglaise
2 präludien
BWV 854
BWV 939

Capriccio BWV 992
adagiosissimo

Concerto BWV 974 (A.Marcello)
allegro
adagio
presto

Sonate BWV 1001
adagio
fuga (allegro)
siciliana
presto

Enno Voorhorst - Guitar Transcriptions: Bach

Parte I & Parte II.

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Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

Ricardo Gallén - Guitar Recital - Laureate Series

Não há qualquer incerteza em se afirmar que Ricardo Gallén é, atualmente, um dos maiores violonistas do globo. Contudo, tais afirmações categóricas geralmente podem ser fruto de discursos entorpecidos pelo apreço que determinado crítico ou apreciador conserva por determinado violonista. Mas não se enganem, meus caríssimos e excelsos leitores: Gallén é, indubitavelmente, um estupendo e virtuoso solista.

É interessante notar que, como outros grandes violonistas, Gallén começou seus estudos ainda mui infante, por volta dos 5 anos. Não que tal fato seja preponderante para que um violonista torne-se um grande solista, mas me parece que ao se encetar os estudos musicais mais cedo, também mais célere e brevemente aparecerá a virtuose. Ademais, quanto mais cedo inicia-se o estudo ter-se-á mais chance de conhecer coisas novas, engrandecendo-se, assim, o repertório.

Tal fato torna-se manifesto neste excelente álbum de Gallén. Passeamos de Rodrigo a Brouwer, numa mostra do desmesurado conhecimento e competência musical desse magnífico violonista. Ademais, o repertório não se torna, aqui, comum e insoso. Pelo contrário. Além de trazer indispensáveis compositores em sua lista de belas peças, Ricardo Gallén nos mostra a diversidade de seus apanágios técnicos, executando peças dos pouco conhecidos – porém magníficos - Toru Takemitsu, Joaquin Clerch e Flores Chaviano.

Certamente, há muito que se falar sobre esse grande violonista. Mas serei comedido nas palavras e deixarei que o vigoroso e sublime toque de Gallén falem por mim. Após a audição, bem sei que terão muitas palavras a dizer sobre esse mirífico violonista.

Eis o disclist:

Joaquin Rodrigo
En Los Trigales 04:10

Joaquin Clerch
Guitarresca 05:52

Darius Milhaud
Segoviana 04:24

Leo Brouwer
Sonata
I. 'Fandangos y Boleros' 06:29
II. 'Sarabanda de Scriabin' 03:51
III. 'La Toccata de Pasquini' 04:42
Hika
Hika 07:22

Toru Takemitsu
Folios
I. - 03:29
II. - 03:09
III. - 03:11
Equinox
Equinox 07:57

Flores Chaviano
Sonata 02:10
Evocacion 02:55
Boceto 01:18

Francisco Tarrega
Preludio No. 2 02:09
Preludio No. 5 02:32

RICARDO GALLÉN - GUITAR RECITAL - LAUREATE SERIES
Ricardo Gallén - Guitar Recital - Laureate Series

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Elena Papandreou - Guitar Recital - Naxos Laureate Series



Já que estamos a tratar das virtuosas e sempre exuberantes violonistas, eis que vos trago, pois, uma outra instrumentista. Levo-me a crer que esta seja tão surpreendente quanto Magnant, mas de um modo diverso. Enquanto a francesa denota um apurado senso técnico aliado a um repertório excitante e maravilhoso, Papandreou mostra-nos o quão abrangente é o instrumento que escolhemos por estudar.

O violão abarca, com efeito, inúmeras culturas, estilos e “cosmovisões” dentro de suas incomensuráveis e singelas seis cordas. E vejam os caros e estimados leitores que esta excelente violonista apenas corrobora para esta minha constatação. Afinal, Elena Papandreou é ateniense, nascida no berço da civilização ocidental, e estuda o mesmo instrumento que nós, aqui do “novo mundo”. Certamente, aquele que julgar a Grécia como uma nação composta apenas pelas clássicas literaturas, pelos eruditos instrumentos estará a cometer um asinino engano. Por isso, logo esclareço: é interessante notar que uma violonista grega – mesmo que tenha estudado por decênios na Inglaterra – executa obras de um Stravinski, por exemplo. Vejam, então, que o nosso feérico instrumento aproxima culturas aparentemente tão diversas.

Não pensemos, pois, que a Grécia é berço tão-somente de eruditismos dos mais variados. Não à toa, pelas terras homéricas se tem um famigerado concurso violonístico intitulado: “Maria Callas”, do qual Papandreou, aliás, já foi vencedora. Ademais, essa grande violonista já trabalhou com grandes nomes do violão mundial, como: Alirio Diaz, Oscar Ghiglia e Roland Dyens; fato que apenas mostra a sua competência e absoluto talento.

Assim é que em minhas linhas acaba por se notar um certo discurso laudatório em favor dessa grande violonista. Contudo, ao escutarem as vigorosas e habilidosas notas de Elena Papandreou muito provavelmente comigo concordarão. Mesmo que, como eu, não apreciem alguns dos compositores presentes nesse álbum, verão que a extrema habilidade aliada a uma interpretação cálida fazem qualquer repertório tornar-se qualquer coisa senão apoteótico.

Lhes deixo, pois, o disclist e os links para desfrutarem da preciosa interpretação de Papandreou:

ELENA PAPANDREOU, GUITAR RECITAL NAXOS, LAUREATE SERIES
(NAXOS prize in the GFA Competition U.S.A. 1995)
Works by Igor STRAVINSKY, Roland DYENS, Nikita KOSHKIN,
Mikis THEODORAKIS, Nikos MAMANGAKIS, Evangelos BOUDOUNIS

CD
Nikos Mamangakis (b. 1929)
Folk Dance Suite (9:34)
Hassapiko 2:34
Zeimbekiko No 1 1:54
Tsifteteli 1:26
Zeimbekiko No 2 1:46
Karsilamas 1:47


Igor Stravinsky (1882 - 1971)
From The Soldier's Tale (7:05)
(arr. N. Mamangakis)
The Soldier's March 1:59
Music to Scene II 2:48
Tango 2:16


Roland Dyens (b. 1955)
Saudade No 3 6:14
Tango en Skaï 2:44

Nikita Koshkin (b. 1956)
Usher Waltz 6:29

Mikis Theodorakis (b. 1925)
Two Songs from "Lyricotera"
(arr. E. Papandreou)
Sob of Angels 3:29
Dissolving Light 3:16

Nikos Mamangakis
Hroes 4:09
(dedicated to E. Papandreou world premiere recording)

Evangelos Boudounis (b. 1950)
Eight Summaries (13:03)
No 1 Lento 1:07
No 2 Largo- Animato 1:25
No 3 Giocoso 0:56
No 4 Animato 2:32
No 5 Moderato 2:06
No 6 Agitato 1:32
No 7 Larghetto 1:54
No 8 Presto 1:17
Tsifteteli for Elena 3:49
(dedicated to E. Papandreou world premiere recording)

Cocktail 5:49
(world premiere recording)

ELENA PAPANDREOU - GUITAR RECITAL - NAXOS LAUREATE SERIES

Parte I & Parte II

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Domingo, Dezembro 23, 2007

Fabienne Magnant - Mémoire Vivante Bresil et musique du 20

Olá, meus queridos e diletos leitores. Perdoem-me a incúria pela extravagantemente demorada ausência. Em verdade, meu trabalho tomou-me um tempo assombroso nesses últimos meses do ano. Ademais, a saúde deu mostras de não estar lá mui bem. Entretanto, aqui estou novamente. E trago-lhes algumas novidades violonísticas.

A primeira delas, indubitavelmente, faz menção a um estupendo e primoroso álbum, de um igualmente magnífico e virtuoso violonista. Bem, levo-me a crer que deva me retificar. Afinal, o título da postagem não mente: com efeito, trata-se de umA violonista. Uma absolutamente mirífica e excelente instrumentista: Fabienne Magnant.

Magnant (como os caros leitores já devem ter percebido) é francesa. E como sabemos, tal povo conserva, entre os seus diversos apanágios, aquele que é caro para muitos seres viventes: o apreço pelo estudo, pela literatura, enfim, pelo saber. Aponto isso pelo fato de que se torna mais do que perceptível, nos delicados e precisos toques de Magnant, toda essa verve sapiente e extremamente responsável com a música. Certamente, alguns podem pensar, então, que Fabienne executa em seu excelente álbum músicas de seu exuberante país natal. Ledo engano.

Como percebemos pelo título do álbum, a virtuosa violonista escolheu um repertório que nos é, além de familiar, absolutamente atraente. Afinal, quem já não se encantou com as valsas de Dilermando Reis ou a preciosidade da magnífica “simplicidade” das músicas de Garoto? Não que a violonista tenha apenas optado pelo repertório brasileiro. Aparecem, também, Barrios e Dyens, com peças interpretadas de maneira interessantíssima. Mas ainda sobressaem peças sublimes, como Dr Sabe Tudo ou Se Ela Perguntar, de Dilermando Reis.

Haverá quem diga: “mas os violonistas brasileiros interpretam tais peças desmesuradamente melhor que Magnant”. Não sei se discordo completamente. Afinal, um polaco executará peças de seu folclore com mais ardor e maior desprendimento do que um chileno. Mas há que se reconhecer que a violonista executa peças com uma competência esplêndida. Basta ver a intrigante e magnífica interpretação da bela valsa Se ela perguntar.

Sem dúvida, Fabienne Magnant avulta entre a plêiade dos grandes violonistas do globo. Assim, torna-se indispensável à qualquer fonoteca violonística que se preze. Ademais, é sempre bom conhecer (e tornar-se fã) de bons e virtuosos instrumentistas.

FABIENNE MAGNANT - MÉMOIRE VIVANTE BRESIL ET MUSIQUE DU 20

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Terça-feira, Outubro 30, 2007

Augustin Barrios Mangoré - Obra Completa

Olá a todos os amados e estimados leitores de minhas fúfias palavras. Antes de tudo, devo-lhes desculpas pelo grande hiato. O fato é que passei por algumas mudanças (residenciais e psicológicas) e o meu computador parece não ter gostado muito disso, deixando-me, como popularmente se diz, “na mão”. Pois bem. Agora, novamente inserido no universo virtual, eis que lhes trago boas novas.

A primeira delas é esse excelente arquivo, contendo toda a obra do grande e emérito violonista paraguaio Augustín Barrios. Em verdade, um arquivo para lá de indispensável e inarravelmente útil aos que se aventuram na laboriosa arte das seis cordas. Oras, e quem, então, desconhece o magnífico Prelúdio em dó menor, ou a deslumbrante peça em trêmolo El ùltimo tremolo (Uma Limonsita por el amor del Diós), ou ainda a elevada La Catedral ? Mas não apenas por conter tais famigeradas peças é que esse arquivo faz-se útil e inescusável à biblioteca dos nobres amigos. Com efeito, é importante conhecer o repertório de grandes expoentes de nosso instrumento, sabendo localizá-los temporalmente, analisar suas composições à luz da teoria musical, enfim, é, além de uma maravilhosa contribuição às vossas bibliotecas, um material que pode ensejar o conhecimento musical de todo e qualquer violonista. Contudo, o material por si só não fará absolutamente nada: é elementar a presença de um bom mestre ao lado do diletante.

Bem. Creio que um pouquinho da biografia desse estupendo violonista seja interessante: Agustin BARRIOS MANGORÉ nasceu nos idos de 1885, na cidade de San Juan Bautista de Las Misiones e veio a falecer em 1944, na cidade de San Salvador, em El Salvador. Barrios teve uma infância modesta ao lado dos 7 irmãos, com quem formava a Orquestra Barrios. Augustin Barrios fez parte de tal orquestra até os 13 anos de idade, quando foi descoberto pelo talentoso maestro Gustavo Sosa Escalada, que o tomou como pupilo e o apresentou ao universo do violão erudito. O neófito violonista logo mostrou o seu grande talento, impressionando o seu mestre, que acabou levando-o para Assuncíon a fim de que continuasse seus estudos no célebre Colegio Nacional de la Capital. A partir daí Barrios começou a apresentar-se como violonista e logo ficou conhecido em todo o seu país. Em 1910 encetou a sua primeira apresentação internacional, obtendo grande êxito, o que acabou por fazê-lo visitar grande parte da América. Durante uma apresentação no Rio de Janeiro, em 1929, o violonista conheceu Glória, que acabou por se tornar sua esposa. O repertório de Barrios é plural e abrangente: como possuía uma sedimentada formação teórica suas composições apresentam várias formas: prelúdios, valsas, mazurcas, polcas, peças de cunho folclórico, etc. Após uma turnê européia, Barrios apresentou-se em alguns países da América. Quando estava no México acabou por sofrer um enfarto e uma parada respiratória. O presidente de El Salvador convidou o violonista para recuperar-se em seu país. Contudo, em 1944 Barrios teve outro enfarto e não resistiu. Acabou por falecer aos dias sete do mês de Agosto daquele ano.

Assim é que 63 anos depois da morte desse preexcelente músico, vos trago a sua obra completa. Espero que apreciem.

AUGUSTIN BARRIOS MANGORE - OBRA COMPLETA
PARTE I & PARTE II
O link com a primeira parte das obras completas foi atualizado. Perdoem-me a demora.

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Rafael Rabelo


Aproveitando o ensejo, atualizo um álbum que há muito foi postado em nosso bom espaço virtual. Trata-se de um trabalho do grande artista das sete cordas, Rafael Rabello.

O grande Rafel Rabello destacou-se desde jovem em seu instrumento. Diferente não poderia ser, já que o berço de Rabello é de grandes e talentosos músicos. O fato é que com apenas 12 anos Rafael já era um virtuose em seu instrumento. Ficou conhecido nas rodas de choro por haver formado o grupo Os Carioquinhas. Rabello conservava uma impressionante técnica e uma grande acuidade em suas interpretações. Talvez isso se deva ao fato de que ele tenha estudado com o lendário e distinto Dino 7 cordas (com quem, aliás, gravou um álbum, em 1991). Atuou em discos de diversos artistas, e foi um dos mais requisitados violonistas dos anos 80 e 90, famoso por aliar técnica impecável a sensibilidade interpretativa, em qualquer estilo, fosse erudito, choro, flamenco ou bossa nova. Sua morte precoce, aos 32 anos, aliada à sua genialidade e virtuosismo, o fez ser considerado o "Mozart do choro".

Esse álbum impressiona pela qualidade da execução, pela sutileza do toque e pelo requinte das interpretações. Ademais, o repertório é um verdadeiro louvor à portentosa música de nosso soberbo país, tendo Radamés Gnatalli, Ernesto Nazareth e João Pernambuco entre os compositores. Com efeito, Rafael Rabelo foi um dos nomes mais importantes da música brasileira, e indubitavelmente um dos grandes nomes do violão mundial.

Eis aqui o disclist do álbum:

Raphael Rabello ViSom LPVO 018 - 1988
A1 - Lamentos do Morro(Garoto)
A2 - Jorge Na Fusa(Garoto)
A3 - Pedra do Leme(Raphael Rabello e Toquinho)
A4 - Comovida(Guinga)
A5 - Ainda Me Recordo(Pixinguinha e Benedicto Lacerda)
A6 - Vôo da Mosca(Jacob do Bandolim)
B1 - Grauna(João Pernambuco)
B2 - Retratos(Radamés Gnatalli)
B3 - Nosso Choro(Garoto)
B4 - Escovado(Ernesto Nazareth)
B5 - Desvairada(Garoto)

Músicos :
Raphael Rabello
Dininho
Chiquinho do Acordeon
Dino das 7 Cordas

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