sexta-feira, março 20, 2009

Dilermando Reis - Abismo de Rosas

É com real regozijo e inenarrável alegria que, enfim, volto-lhes a escrever neste bom e estimado espaço virtual. Confesso-lhes o quão pungentes e consternados foram os dias que por aqui não pude passar, deixando linhas e álbuns necessários ao espraiamento de nossa nobilária arte das seis cordas. É interessante notar a variedade e multiplicidade de blogs violonísticos que pululam nos virtuais meios tecnicistas. E, ainda assim, existem diversos leitores e freqüentadores deste nosso espaço que estão verdadeiramente ofendidos pelo precipitado e incurioso abandono. Levo-me a crer que sejam imprescindíveis algumas notas explicativas a fim de que não se encete qualquer celeuma.

Para aqueles que dispõem de maior tempo (e paciência, também), a nossa orkutiana comunidade revelou os motivos de minha indesculpável ausência. Lá expus, com a clareza e objetividade que merecem as explicações, os motivos de tão prolongada ausência. Eis que vos trago, pois, ipsis literis, as linhas de outrora e, aproveitando o ensejo, acrescento mais algumas. O fato é que meu velho pai sofreu um grave acidente. Antes que os pruridos leitores se exaltem, eis que vos acalmo. O acidente não foi, de modo algum, irreversível e tampouco envolvendo outros entes. Mas vamos aos fatos: quando asserto ser ele de uma idade já avançada, não estou a utilizar qualquer veleidade discursiva. Pelo contrário, meu demiúrgio progenitor fez 8 decênios em novembro passado. Com efeito, toda família possuí uma pessoa que apresenta avançada e delicada idade. Posto isso, sabem o quão difícil e sensível é a saúde de uma pessoa que apresente tal longo tempo de existência. De qualquer forma, quero crer que os anos se lhe tornaram um tanto quanto insuportáveis e terrivelmente pesados. Meu estimado pai sofreu um enfarto e, no período em que internado se encontrava, mais três AVCs. Não é necessário dizer a profundidade de meu desespero e preocupação. Larguei às drosófilas não apenas nosso estimado espaço virtual, como parte de minha existência pragmática. Graças aos deuses, rezas e pedidos, hoje ele descansa ao som de Dilermandos e Nazareths, que pacientemente executo para ele (ou, em uma leitura menos idílica, ele escuta no computador).

Bem sei que os problemas de minha azafama vida não lhe competem. De qualquer modo, melindrei as vicissitudes daqueles que enxergavam nesse espaço o local de união, de fusão entre interesses semelhantes e esperanças duradouras. Afinal, o derradeiro propósito deste blog, deste o início, foi o de proporcionar para aqueles que (tal qual esse que vos escreve) possuem o indevassável apreço e desmesurada paixão pelas seis cordas violonísticas. Jamais intentei vilipendiá-los. Contudo, por forças maiores do que pude suportar, tive de atentar para necessidades mais prementes, que demandavam soluções. Mas o tempo, como diria o filósofo, é providente. Eis-me aqui, mais uma vez, a lhes embarafustar com tantas linhas e álbuns. Dessa vez, prometo-lhes, será ininterrupto o meu trabalho. Pois que o refundemos!

O álbum de hoje é absolutamente significativo. Como lhes disse anaforicamente, escutei e estudei, durante muitos meses, a obra de Dilermando Reis. É bem verdade que a influência é, como quer Harold Bloom, um exercício de desleitura. Encetei minha vida musical ainda bem jovem, deslumbrado com as possibilidades de sete singelas notas. E como apresentava certa intolerância à vida social, a música como se tornou algo mais do que natural. O violão apenas tornou-se subseqüente. Meu velho pai já há muito apreciava a plenitude harmônica das interpretações do bom Dilermando. E lá fui eu, a estudar a nobre arte das seis cordas, influenciado por meu pai. A desleitura é um processo interessante. Por diversos anos, realmente não compreendia e cheguei ao incompreensível extremo da ojeriza para com Dilermando. Com o tempo, o ouvido vai-se delineando, os professores vão-lhe aprimorando e ... pronto! Dilermando tornou-se uma grande referência e influenciador de muitos estudos.

O álbum que agora vos trago apresenta muitas das qualidades que tornaram Reis conhecido e admirado: repertório exuberante, interpretação penetrante, percepções sonoras verdadeiramente invejosas, enfim, um dos mais caleidoscópios retratos das infinitas possibilidades presentes em seis modestas cordas. Os que já estudaram a suntuosa música brasileira violonística, invariavelmente depararam-se com obras deste virtuoso violonista. Coral del Norte, a segunda faixa deste álbum, é uma delas. Não obstante, tal composição não é de Dilermando Reis, mas sim do egrégio compositor argentino Juan Rodriguez. É interessante atentar para o fato de que tal gravação, à época de Dilermando, não era conhecida pelas América portuguesa. É graças a sua gravação (com algumas pequenas alterações da obra original) que Coral del Norte foi difundida por aqui. Tal composição é magnífica e torna-se ainda mais mirífica na interpretação desse primoroso violonista. O compasso (que aos meus ouvidos soa em 6/8) traz uma sonoridade inconfundivelmente Castelhana, alternada com momentos de certa profundidade, de exploração de distintos acordes. Sem dúvida, essa não é a única peça conhecida: lá estão Magoado, Marcha dos Marinheiros, Uma valsa dois amores, a faixa homônima e outras preciosidades. Como diria um saudoso professor: “apenas o oligofrênico é que não compreenderá a magnitude de Dilermando Reis”. Não sei se concordo com tão hiperbólico pensamento, mas reconheço o poder hipnótico dos dedilhados de Reis. É interessante atentar para as proporções harmônicas da excelente transcrição de Beethoven (sonata ao luar) presente ao final do álbum. Em suma: um álbum para “reinaugurar” nosso bom blog e para deleitar os ouvidos dos queridos leitores. Pois que aproveitem!

Disclist:
01 – Marcha dos Marinheiros
02 – Coral del Norte
03 – Sons de Carrilhões
04 – Noite de Luar
05 – Magoado
06 – Granadina
07 – Abismo de Rosas
08 – Adelita
09 – Tristesse
10 – Uma valsa dois Amores
11 – Sonata ao Luar
12 – Ruas de Espanha

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quarta-feira, março 21, 2007

Dilermando Reis - O violão brasileiro


Esse é, sem dúvida, o violonista que ajudou a dar uma nova roupagem ao violão brasileiro. Apresentando timbres novos, ousados, geniais, Dilermando Reis corroborou para que o violão provindo de nossa terra (bem como seus primorosos violonistas) fossem devidamente reconhecidos e admirados no cenário global.
Em uma outra postagem, dediquei algumas linhas para falar um pouco sobre esse grande violonista. Mas, eis que em algumas outras, sintetizo um pouco da magnificente carreira de Dilermando Reis:
Tal nobre e preexcelente violonista começou, desde cedo, nos caminhos da música, seguindo a inspiração vinda de Levino da Conceição. Fez parte do elenco da Rádio Nacional, brindou os ouvintes com algumas apresentações na CBS, foi integrande da orquestra de 12 violões que atuou no Cassino da Urca e na Rádio Clube do Brasil e teve alunos célebres como Bola Sete, Darci Vilaverde e até mesmo o presidente Juscelino Kubitschek. Enfim, um dos nossos maiores violonistas.
Como bem diz minha querida e amada esposa: “Quem não se emociona ouvindo Abismo de Rosas pelas mãos de tal mestre?”. É senhorita Lae, creio que ninguém. Neste álbum, os caros leitores não encontrarão a famigerada Abismo de Rosas.
Em verdade, esse disco (que é original de 1975) conserva algumas músicas próprias de Dilermando e é um de seus mais famigerados álbuns, por mostrar, justamente, a precipuidade das sublimes composições desse excelente violonista.

Eis as músicas do álbum, bem como os links:
1. Terno Olhar
2. Deixa Comigo
3. Eterna Mágoa
4. Miudinho
5. Viola Triste
6. Quando Vocó Dançava
7. Chegadinho
8. Balada da Saudade
9. Cavaquinho Encabulado
10. Valsa em Mi
11. Gente Boa
12. Iracema

Os links: DILERMANDO REIS - O VIOLÃO BRASILEIRO.
PARTE I & PARTE II

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domingo, janeiro 21, 2007

Dilermando Reis - O violão de Dilermando Reis


De fato, em toda a história nacional o nosso estimado instrumento foi empunhado pelos mais variados e virtuosos violonistas. Contudo, um deles é mais lembrado e cultuado. Talvez nem tanto pela sua mirífica execução mas pela grande luta que travou esse emérito ser com os preconceitos imperantes na época para com o violão.
Nos fins da década de 20 e começo da de 30, que foi quando Dilermando começou a ganhar espaço no ainda ascendente meio fonográfico brasileiro, imperava a concepção do violão como instrumento de acompanhamento, elaborado exclusivamente para acompanhar canções com cantores e afins. Dilermando lutou para impor, no então diminuto repertório existente, a qualidade de solista ao violonista. E conseguiu!
Dilermando é natural de Guaratinguetá, no grande e belo estado de São Paulo. Foi aí que começou seus estudos de música, com o famigerado maestro cego (sim, cego!) Levino da Conceição, com quem, após algum tempo, formou uma dupla e passou a viajar pelo país. Convenhamos que, já naquela época não iria ser difícil notar o primoroso talento de Dilermando para com o seu instrumento. Talvez pela rustiquez dos meios de comunicação, isso pode ter se demorado um pouco mais.
O fato é que, na década de 30, Dilermando já se encontrava na então capital federal: a cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Nesta cidade, além de realizar algumas apresentações, também ministrava aulas em lojas de música. Foram então crescendo e se tornando célebres suas apresentações e seu inconfundível toque. Tanto que a crítica da época assinalava esse violonista como: "a fina sensibilidade interpretativa, chamando atenção para o som cheio e bem timbrado de seu violão que nunca se confundiu com nenhum outro".
O eminente violonista, em 1953, excursionou pelos Estados Unidos e se apresentou na famigerada e glamurosa CBS de Nova York. Após isso, gravou inúmeros álbuns (mais precisamente, LP's) pelo selo "Continental". Voltando ao Rio, Dilermando trabalhou em diversas rádios (a rádio, nessa época, era o meio de comunicação mais difundido e utilizado), sendo que ficou na Rádio Nacional (algo comparado com a Globo atual) até os idos de 1969. Além de tudo, foi ele um grande professor e editou inúmeras músicas para o violão.
Já que tocamos no epíteto de professor... o então presidente Juscelino Kubitscheck, sim, aquele mesmo que idealizou Brasília, foi, além de grande amigo, um aluno de Dilermando Reis. Pois é... imaginem os bons e virtuais amigos o que seria tomar aulas com esse grande e sublime mestre. Enfim... creio que deva parar de tecer minhas infindáveis mesuras à Dilermando, sob o risco de estar propagando um certo entorpecido apreço pela sua pessoa, hehe.
O que quero é que saibam que este foi, indubitável e incotestavelmente, um dos nossos maiores violonistas. Além de ser um deífico intérprete era ele também um maravilhoso compositor. E é isso que vemos neste álbum, intitulado "O violão de Dilermando Reis". Além de trazer obras do próprio violonista, como "Magoado", traz famigeradas peças do repertório popular brasileiro, como "Sons de Carrilhões" ou "Saudade do Matão" e também peças mundialmente ilustres, como "Adelita" de Tárrega. Em suma: é um álbum muito interessante. E além de tudo proporciona-nos uma visão ampla do grande violonista que foi Dilermando Reis. Simplesmente imperdível.
Eis o disclist:
01. Abismo de Rosas
02. Sons de Carrilhões
03. Branca
04. Carinhoso
05. Na Baixa do Sapateiro
06. Adelita
07. Saudade de Matão
08. Rapaziada do Brás
09. La Cumparsita
10. Magoado
11. Saudade de Ouro Preto
12. Prelúdio em Forma de Oração
13. Oiá de Rosinha
14. Sob o Céu de Brasília
15. Lamentos
16. Maria Bethânia
17. Marcha Triunfal Brasileira
18. Índia
19. Chegadinho
Os links: DILERMANDO REIS - O VIOLÃO DE DILERMANDO REIS.

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