terça-feira, junho 05, 2007

Alírio Diaz - 400 Years of Classical Guitar


Alírio Diaz. Quero crer que muitos dos diletos amigos conheçam esse preexcelente violonista. Bem. Se não tiveram a fausta oportunidade de agradar vossos ouvidos com tão mavioso som, eis aqui a oportunidade perfeita.

Bem me lembro que, há alguns anos, quando ainda eu me iniciava nas intrincada arte das seis cordas, uma querida saudosa professora sempre elogiava muito o trabalho de um violonista, o qual ela considerava “um dos melhores que já existiu”. Sempre duvidei dessas assertivas superlativas, do tipo: “ele é o melhor” ou “aquele é o pior”. Mas, aí, a dita professora emprestou-me um LP do tal violonista, a fim de que eu apreciasse melhor a sua técnica. Logo na primeira audição fiquei, com o perdão da expressão, embasbacado! A técnica era magnífica. O toque delicado, suave, descomplicado. As interpretações emanavam um conhecimento profundo e uma aguda percepção da peça. E o nome de tal violonista, vejam só que coincidência (hehe), era Alírio Diaz.

Trata-se, meus estimados e prezados amigos, de um violonista Sul-Americano, ou mais precisamente, Venezuelano. Diaz veio à luz nos idos de 1923, em uma pequena cidade interiorana da Venezuela. Dizem que, desde infante, Diaz mostrava um entrosamento extraordinário com o instrumento, executando inúmeras músicas apenas recorrendo ao ouvido. Apresentou-se durante certo tempo com peças de cunho folclórico – as quais deram-no certa popularidade em seu país. Quando já homem, Diaz foi para Madri a fim de estudar no grande Conservatório de Madri. Aí estudou com Regino Sainz de la Maza – um prolífico e primoroso compositor espanhol. Após alguns anos foi freqüentar alguns cursos em Siena, na Itália, com ninguém menos que Segóvia. Diaz saiu-se tão bem em tais seminários que Segóvia o escolheu para ser o seu assistente. Nem é preciso dizer que, a partir desse ponto, a carreira internacional do grande Alirío Diaz alçou vôo.

Nas inúmeras apresentações que Alírio Diaz fez, nos mais variados cantos de nosso globo, o superior violonista impressionava a audiência com o seu virtuosismo nato e a sua capacidade de executar as obras de forma aparentemente descomplicada. Ademais, a sua formação enquanto instrumentista apenas o favorecia e suas interpretações eram aclamadíssimas. É interessante notar que Diaz conservava em seu repertório um sem número de peças. Hão de convir com esse que vos escreve que manter um repertório em um nível, digamos, “profissional” é algo dificílimo. Ainda mais quando tal repertório conserva uma imensa quantidade obras. Quero crer que isso denote, já, o grande e preexcelente violonista que foi Diaz.

Eis aqui um excerto de Zanon sobre o mirífico violonista: “Eu costumo chamar Alírio Díaz de violonista-champanhe: tudo o que ele toca é direto, franco e espouca com um caráter alegre, dançante e celebratório, que é particularmente adequado para o repertório latino-americano e espanhol”.
Depois dessa brilhante análise, que partiu de um fascinante violonista, sou obrigado a deixar aqui o disclist do álbum e o link.
Ei-los:

01 Tarrega Recuerdos de la Alhambra
02 Lauro Dos Valses Venezolanos - Uno
03 Lauro Dos Valses Venezolanos - Dos
04 Sojo Guaso
05 Sojo Cancion
06 Sojo Quirpa
07 Albeniz Asturias
08 Anonimo Dos Canciones Populares Catalanas - Uno
09 Anonimo Dos Canciones Populares Catalanas - Dos
10 Haydn Minuet
11 Sanz Pavana
12 Sanz Folia
13 Scarlatti Sonata
14 Bach Gavota (from Suite for Violin Solo)
15 Bach Fugue (from Suite for Violin Solo)
16 Sor Variations on a Theme from Mozart

ALÍRIO DIAZ - 400 YEARS OF CLASSICAL GUITAR

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1 Comments:

Blogger Gustavo said...

Seu blog é lindo. Sou um estudante de violão erudito (devo dizer um pouco desleixado), mas sempre estou lendo e baixando as músicas dos grandes violonistas e compositores que você coloca. Seu jeito de escrever também é excelente. Um grande abraço!

12:18 AM  

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