terça-feira, abril 03, 2007

David Russell - Francisco Tárrega Integral de Guitarra


Pois eis que começamos mais um mês no corrente ano. Lá se foram quatro meses. Não sei quanto aos nobres leitores, mas tenho a estranha sensação de que, ontem mesmo, estava a comemorar o natal. Há algumas horas, pareciam estar ainda estourando as alegrias brilhosas no céu, brindando a chegada de mais um velho-novo ano. Pois é. Nostálgico, eu? Imaginem. É apenas uma impressão. Uma leve, singela e quase imperceptível sensação de que o tempo, em verdade, não passa. Quem passa somos nós.
Mas não se enganem os olhos menos preparados que, com tal acabrunhado discurso, quero eu estabelecer alguma relação com o nobre e excelso violonista que é o grande David Russell. De forma alguma. Apenas digo que, ao escutarmos certas músicas, sejam elas clássicas ou não, tendemos a nos deixar levar por suas "palavras", por sua magia, enfim, por seu intrínseco sentimentalismo. Dessa forma, jamais veremos alguém que esteja triste, a escutar algo como “Sueño” ou “Capricho Árabe”, de Tárrega. Ou então, alguém que esteja consternado a ouvir “Johnny B Good” de Chuck Berry.
O caso, meus queridos e mais do que estimados leitores, é que quero que quero lhes dizer o quão nostálgico fico ao ouvir tão bons violonistas quanto Russell a executar peças tão belas quanto as de Tárrega. Por que, perguntariam os mais apressados. Pelo fato de que, atualmente, vê-se uma completa falta de sentido e informação no mercado fonográfico. Assim, vislumbra-se a ascensão de “violonistas” que nada têm a acrescentar aos ouvidos alheios em detrimento de outros que teriam muito mais do que a sua simples a aparência a mostrar. Não critico tais violonistas. Afinal, todos temos de pagar nossas contas. O que me deixa consternado e me faz voltar os olhos (ou melhor, os ouvidos) para tempos já idos, é a profunda falta de vontade de nossos novos estudantes. Bem sei que os leitores desse blog, bem como os freqüentadores de fóruns e comunidades que pela Internet existem, não fazem jus a essa minha contristação. Mas que fique registrado: a nostalgia desse que vos escreve deve-se antes a falta de interesse dos ouvintes do que a abundância de bons violonistas que por aí existem.
Mas deixemos minhas insípidas linhas de lado e nos atenhamos à magnificência desse álbum. Como bem puderam apreender, o álbum traz o nosso bom e velho conhecido David Russell a interpretar a obra completa do absolutamente primoroso Francisco Tárrega. Pelo simples fato do título do álbum, creio, já valeria muito à pena a sua audição. Mas a imprescindibilidade de sua audição transcende tal fato. O que vemos em tal álbum, é o profundo amadurecimento musical que um instrumentista pode conservar. É o grande senso de musicalidade aliado a uma sagacidade ímpar, que somente proeminentes músicos pensam em ter. É, enfim, uma profusa demonstração de quão bom um violonista pode sonhar em ser. O grande Colin Cooper, da bela revista Classical guitar, está certo ao afirmar: “Russell lavishes his battery of skills on every innocuous phrase, every mundane harmonic progression, as if his life as well as Tarrega's reputation depended on it.” Pena que a minha queridíssima e amada Lae por aqui não está, mas, em uma tradução infeliz e despreparada: “Russell esbanja sua bateria de habilidades em toda frase inócua, toda progressão harmônica mundana, como se a vida dele e reputação de Tarrega dependessem disso”. Pois é. Receber um elogio desses, provindo de tão altiva cabeça, ao meu ver, somente pode ser merecimento mesmo, hehe.

Mas sim. Desfilar toda a grande produção do pródigo músico que foi Tárrega, não é uma tarefa fácil. Afinal, a maioria de nós levou um grande tempo apenas para executar algumas músicas desse grande mestre. Imaginem, pois, gravar a obra completa. Como diria um ex-professor meu: “A arte das seis cordas pode se considerada um binômio: de um lado, existem você, eu, e todos os outros violonistas do mundo; do outro, existem de Segóvia à Sor, de Tárrega à Carlevaro”. Pois é, era um professor um tanto quanto extremista, mas vejam que ele está incontestavelmente correto: quando, em nossas boas e preciosas vidas, pensamos em gravar a obra completa de Tárrega? Ou a de Barrios? Ou a de Bach? Pois é, creio não estarmos do lado divino do binômio, haha.
Pilhérias à parte, e achando que já me alonguei demasiadamente em tal conversa com os diletos amigos, eis que falo um pouco mais sobre o álbum e lhes entrego, logo, os links. Pois eis aí o dilema dos dilemas: falar mais o quê sobre um álbum que é, precipuamente, inarrável? Já sei! Digo-vos, meus amados leitores, que faz parte das músicas desse álbum, como não poderia deixar de ser, já que se trata da obra completa de Tárrega; a magnífica e esplendorosa Gran Jota. A existência de tão belas variações já é, por si só, algo notável. A execução dessa sublime peça, por alguém como Russell, é que é algo fantástico.

Sem mais delongas, eis o disclist:

David Russell – Tárrega Integral de Guitarra

CD1

1. Maria
2. Pavana

3. Gran Vals

4. El Columpio

5. Vals

6. Danza Mora

7. Danza Odalisca

8. Pepita, polka

9. Rosita, polka

10. Sueño, mazurka

11. Marieta, mazurka

12. Mazurka,in G major

13. Adelita, mazurka

14. Las dos hermanitas, vals

15. Minueto

16. Paquito, waltz in C major

17. Isabel, vals for guitar

18. Sueño, trémolo

19. Fantasia on Themes From Verdi's "La Traviata"

20. Fantasy on Themes from Arrita's Marina

21. Carnival of Venice


CD2

1. Capricho árabe

2. Recuerdos de la Alhambra

3. Alborada

4. Tango

5. Prelude No. 1 in E major

6. Prelude No. 2 in A major

7. Prelude No. 3 in A minor

8. Prelude No. 4 in B minor

9. Prelude No. 5 in G major

10. Prelude No. 6 in D minor

11. Prelude No. 7 in G major

12. Prelude No. 8 in A minor "Lágrima"

13. Prelude No. 9 in D minor "Endecha"

14. Prelude No. 10 in D minor "Oremus"

15. Prelude No. 11 in D major

16. Prelude No. 12 in D major

17. Prelude No. 13 in E major

18. Prelude No. 14 in A minor

19. Prelude No. 15 in A minor

20. Prelude No. 16 in E major

21. Etude No. 1, En forma de minuetto

22. Etude No. 2, De Velocidad

23. Etude No. 3 in G major

24. Etude No. 4 in B minor

25. Etude No. 5 in A major

26. Etude No. 6 in A major

27. Etude No. 7 in A major

28. Etude No. 8 in A minor

29. Etude No. 9 in E major

30. Etude No. 10, Petit Menuet

31. Etude No. 11 in D major

32. Etude No. 12 in C major

33. Etude No. 13 in A major

34. Etude No. 14, La Mariposa

35. Etude No. 15, Sobre un tema de Wagner

36. Etude No. 16, Inspirado en J. B. Cramer

37. Etude No. 17, Sobre un tema de Mendelssohn

38. Etude No. 18 in A major

39. Etude No. 19 in E minor

40. Etude No. 20, Estudio brillante de Alard

41. Gran jota


DAVID RUSSELL - TÁRREGA INTEGRAL DE GUITARRA:

DISCO I: Parte 1 & Parte 2

DISCO II: Parte 1 & Parte 2


Ps: Há algum tempo eu postei a obra completa de Tárrega em PDF. Ei-la aqui.

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sexta-feira, março 16, 2007

David Russell - 19th Century Music


Pois bem. Primeiramente, quero pedir perdão à todos os bons, eminentes e absolutamente estimados freqüentadores de nosso virtual espaço. Não estou atualizando o blog com a freqüência que deveria e gostaria. Tal se deve à alguns problemas extra-virtuais, à uma vida excessivamente atribulada e à completa falta de tempo. Queiram, por favor, indultar-me.

Pois sim. Eis que vos trago, agora, o preexcelente e virtuoso David Russell. Esse escocês é, sem sombra de dúvida, um completo artista. Afinal, tem presença em palco, conseguindo cativar a platéia com sua acurada e segura técnica; conserva um repertório excelente e é, acima de tudo, um estupendo violonista. O cálido Russell é, talvez, um dos mais bem preparados violonistas do globo. Natural de Glasgow, Russell mudou-se ainda infante para Menorca, na Espanha. Pelas terras castelhanas, o bom violonista estudou com José Tomás (se não me falha a memória, o nome era esse mesmo, haha) que foi assistente – e, por suposto, aluno – do grande Segóvia. Pois então que, conservando tais professores, morando justamente na Espanha, Russell não poderia virar cantor de country, não é?! Aí, então, ele mudou-se para Londres, a fim de completar os seus “guitarrísticos” estudos na famigerada Royal Academy of Music. Com um alicerce teórico desses, Russell somente poderia ter vencido a imensa quantidade de concursos de que participou.

Em fins da saudosa década de 80, o mirífico violonista lançou um CD de compositores esquecidos do séc.XIX. Segundo o meu querido e emérito amigo Zanon, tal álbum “marcou época”. Se o fez, realmente, eu não sei. Apenas digo que não discordarei de tão sagaz violonista, hehe, e tampouco direi que o álbum de Russell não fosse merecedor de tantas honras. Talvez outras mais. Pois, caros leitores e estimadíssimos amigos, ouvirão o disco e verão que tanto minha reles opinião como a agudíssima perspicácia de Zanon são dignas de tal álbum.

Esse álbum mostra um Russell já mui amadurecido musicalmente: a sonoridade é claríssima, com um timbre seguro e comedido. O toque da mão direita parece ser tal qual o de uma pluma: não se ouvem o atrito das unhas com as cordas, mas sente-se a vitalidade e o vigor do toque. Enfim. O grau de técnica neste álbum (e, senão em todos, na grande maioria dos álbuns desse violonista) é absolutamente excelso. Tal não se via há já tempos, do lançamento desse disco. Desde Bream ou, para ficar por “Terras Papagallis”, desde o Duo Abreu.
Eis o disclist do álbum:
Dionisio Aguado (1784-1849)
1. Andante & rondo

Napoléon Coste (1805-1883)
2. Introduction & polonaise

Johan Kaspar Mertz (1806-1856)
3. ElégieJosé Broca (1805-1882)
4. Fantasia
Johan Kaspar Mertz (1806-1856)
5. Fantaisie hongroise

Gimenez Manjon (1866-1919)
6. Leyenda
7. Aire Vasco

Giulio Regondi (1822-1872)
8. Rêverie
DAVID RUSSELL: 19th CENTURY MUSIC - PARTE I & PARTE II.

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