Pavel Steidl - J. K. Mertz Bardenklänge Op 13
Hoje vos trago um excelente álbum. Em verdade, o violonista é muito bom. Mas melhor ainda são as peças que ele executa – com uma destreza e um primor que são virtuosos, diga-se. Trata-se, meus caros, do violonista tcheco Pave Steidl a executar obras do estupendo e magnífico austríaco, Johann Kaspar Mertz. Devo dizer que esse compositor me é, absolutamente, uma predileção. Sou fã incondicional, como bem devem ter observado, do período Romântico da história da música. Creio ser aí que a música, especialmente para o nosso instrumento, alcançou a preexcelência e a liricidade que lhe deram a reputação que hoje ostenta. Talvez (e muito provavelmente!) eu esteja a me enganar. De qualquer forma, enquanto apreciador essa é a minha “escola” preferida.
Enfim. A obra que Steidl executa do expressivo Mertz é a famigerada Bardenklänge, que consta como 13º trabalho desse compositor. Bardenklänge, ao nosso idioma, significaria algo como “música dos bardos”. Oras, Homero nos ensina que bardo era aquele que, com o suporte da lira ou da harpa, recitava os poemas épicos. Já se vê, por aí, que a produção de Mertz era consonante com a sua “escola”, com o período Romântico. Analisando essa opus 13, de Mertz, por um viés menos “semanticista”, podemos perceber que se trata de uma verdadeira obra prima. Não que seja, no limite, aquela obra mais significativa de tudo o que o austríaco veio a produzir. Mas pode-se dizer que essa opus conserva todas as boas qualidades desse compositor. As peças são de uma multivocidade interessantíssima e denotadoras da superior qualidade de Mertz. As peças mais conhecidas dessa opus são, indubitavelmente, o Capricho (que está a 6ª faixa deste álbum) e a Liebeslied (15ª). Não me estenderei muito sobre a tal Op 13. Deixarei que a escutem e tirem suas conclusões. Contudo, alerto-lhes, desde já, que é algo surpreendente e extremamente belo.
Quanto ao violonista, infelizmente não conheço muito de seu trabalho. Conservo, em minha coleção de álbuns, apenas este que aqui vos trago e mais outros três. Não gosto de opinar sobre um violonista sem possuir um embasamento maior ou, ao menos, sem haver escutado muito de sua produção. Dessa forma, digo apenas que Steidl é um violonista muito competente, altamente expressivo, aparenta ter um alicerce absolutamente sólido, enfim, é um violonista primoroso e dedicado. Apenas sei que, aos idos de 2003, figurou ele entre os 8 maiores violonistas do globo – embora tal lista seja extremamente reducionista e relativa.
Bom. Deixo, pois, os ouvidos dos amados amigos a escutar essa formosa e esplêndida performance. Deixarei, também, algumas peças (pois não tenho todo esse trarbalho de Mertz) da Op 13. Quem sabe, assim, daqui a um pouco não vemos um de vocês a gravar tal sublime “Música dos Bardos”.
1. Variations mignonnes
2. An Malvina
3. Romance
4. Scherzo
5. An die Entfernte
6. Capriccio
7. Abendlied
8. Kindermärchen
9. Polonaise No. 5
10. Gondoliera
11. Romance
12. Mazurka
13. Sehnsucht
14. Polonaise No. 6
15. Liebslied
16. Tarantela
17. Lied ohne Worte
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